Se são os nossos sentimentos sobre as coisas o que de fato nos atormenta e não as coisas em si, conclui-se que culpar os outros é tolice. Portanto, quando sofremos reveses, perturbações ou desgostos, não culpemos jamais os outros, mas nossas próprias atitudes.
As pessoas mesquinhas geralmente atribuem aos outros a culpa por seus
próprios sofrimentos. As pessoas comuns atribuem a culpa a si mesmas. Aquelas
que se dedicam a viver uma vida de sabedoria compreendem que o impulso de
atribuir culpa a alguém ou a alguma coisa não passa de tolice e que não se
ganha nada culpando seja quem for, os outros ou nós mesmos.
Um dos sinais que indicam o início do progresso moral é a extinção
gradual da culpa. Passamos a ver como é inútil fazer acusações. Quanto mais
examinamos nossas atitudes e trabalhamos o nosso íntimo, menos estamos sujeitos
a ser assolados por tempestuosas reações emocionais nas quais buscamos
explicações fáceis para aquilo que nos acontece.
As coisas são simplesmente o que são. As outras pessoas que pensem o que quiserem,
não é da nossa conta.
Se não há vergonha, não há culpa.
( Epicteto – A arte de
viver. 19-20)

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