segunda-feira, 30 de junho de 2025

SE NÃO HÁ VERGONHA, NÃO HÁ CULPA.



  Se são os nossos sentimentos sobre as coisas o que de fato nos atormenta e não as coisas em si, conclui-se que culpar os outros é tolice. Portanto, quando sofremos reveses, perturbações ou desgostos, não culpemos jamais os outros, mas nossas próprias atitudes.

  As pessoas mesquinhas geralmente atribuem aos outros a culpa por seus próprios sofrimentos. As pessoas comuns atribuem a culpa a si mesmas. Aquelas que se dedicam a viver uma vida de sabedoria compreendem que o impulso de atribuir culpa a alguém ou a alguma coisa não passa de tolice e que não se ganha nada culpando seja quem for, os outros ou nós mesmos.

  Um dos sinais que indicam o início do progresso moral é a extinção gradual da culpa. Passamos a ver como é inútil fazer acusações. Quanto mais examinamos nossas atitudes e trabalhamos o nosso íntimo, menos estamos sujeitos a ser assolados por tempestuosas reações emocionais nas quais buscamos explicações fáceis para aquilo que nos acontece.

   As coisas são simplesmente o que são.  As outras pessoas que pensem o que quiserem, não é da nossa conta.

   Se não há vergonha, não há culpa.

( Epicteto – A arte de viver. 19-20) 


 

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